Blog da Manon

Cantinho reservado para compartilhar as idéias de uma mulher bem vivida.

24/5/09

AMIZADES QUE CULTIVAMOS PARA SEMPRE

HOJE É DOMINGO, PEDE CACHIMBO, O CACHIMBO É DE BARRO… FUMO UM CIGARRO…

E PORQUÊ NÃO?

 

RECEBI HOJE DE MANHÃ UM TELEFONEMA DA IVETE, MINHA VELHA AMIGA E COMPANHEIRA  DE VIAGEM,  QUANDO,  EM TEMPOS MAIS FELIZES, VIAJAVAMOS  COM NOSSOS MARIDOS, CONHECENDO DIVERSAS CIDADES CRAVADAS NESSE PAÍS MARAVILHOSO QUE, JUNTAMENTE COM SEU POVO, VEM SENDO  CADA VEZ MAIS MALTRATADO…

CONTEI-LHE QUE ESTAREI NO RIO GRANDE DO SUL EM JULHO E QUE IREI VISITÁ-LA EM CAXIAS DO SUL, RETRIBUINDO A VISITA QUE ELA ME FEZ ANO PASSADO…

ELA CONTOU-ME SOBRE A REFORMA QUE ESTÁ FAZENDO NO SEU MAJESTOSO APARTAMENTO, CONTOU-ME SOBRE OS FILHOS E NETOS…

CONTOU-ME AS VIAGENS QUE TEM FEITO  COM AS AMIGAS, E SOBRE AS RISADAS  QUE DÁ NOS DIAS EM QUE, COM A VELHA TURMA, JOGA BARALHO.

SENTI QUE ELA ESTÁ EM PAZ E FELIZ.

QUE BOM!

MAIS TARDE, QUANDO ESTAVA ALMOÇANDO, EU E DEUS,  RECEBI TELEFONEMA DE OUTRA AMIGA, TAMBÉM GAÚCHA , UM POUCO MAIS NOVA DO QUE EU.

ELA QUERIA PÔR PARA FORA TUDO QUE LHE VAI NA ALMA.

CASADA HÁ  30 ANOS, VIU O  MARIDO VOLTAR-LHE AS COSTAS , SEM QUERER, ENTRETANTO, SEPARAR-SE DELA PELO DIVÓRCIO.

ACOMPANHEI A VIDA DESSE CASAL DURANTE MUITO TEMPO.

SEMPRE ACHEI QUE O MARIDÃO APROVEITOU MUITO DA ESPOSA, SEM DAR-LHE O VALOR MERECIDO.

TINHA UMA NAMORADA, BEM MAIS NOVA DO QUE ELE E PASSAVA POUCO TEMPO COM A ESPOSA.

ESQUECEU QUANTO  A ELA ERA AMOROSA E ÚTIL,  ESQUECEU DO TEMPO QUE ELA SUSTENTOU A CASA SOZINHA, COM SEU TRABALHO DE PROFESSORA,  ENQUANTO ELE FAZIA O DOUTORADO…

O TEMPÓ PASSOU, ELE SURPREENDEU A NAMORADA COM UM GAROTÃO MAIS NOVO QUE ELA E CAIU NA REAL…

PASSOU A BEBER NOS BARES, A JOGAR SINUCA, A MANTER LONGAS CONVERSAÇÕES COM PESSOAS DO MESMO SEXO, DISCUTINDO FUTEBOL, POLÍTICA E OUTROS ASSUNTOS AFINS…

NUNCA MAIS SE INTERESSOU POR NENHUMA MULHER, PRINCIPALMENTE PELA DELE…

JÁ APOSENTADO, FOI MORAR EM ATLANTIDA, NA CASA DE PRAIA DA FAMÍLIA, ONDE CONTINUA BEBENDO, JOGANDO SINUCA E CONVERSANDO COM VELHOS AMIGOS.

MINHA AMIGA CONTINUA LINDA, FOGOSA E PURA .

CONTINUA EM PORTO ALEGRE,  CUIDANDO DA CASA E DO FILHO SOLTEIRO.

DE VEZ EM QUANDO VAI À ATLANTIDA, ORDENAR A CASA, ORIENTAR A EMPREGADA E MIL OUTRAS COISAS QUE SÓ MULHER SABE FAZER…

ELA COMENTOU QUE ACHAVA QUE  O MARIDO DELA NÃO GOSTAVA DE MULHER.

SEMPRE COLOCOU O TRABALHO, AS REUNIÕES SOCIAIS E OS AMIGOS, NA FRENTE DE TODAS AS OBRIGAÇÕES DE MARIDO E PAI.

MULHER PARA ELE ERA SOMENTE PARA FAZER SEXO…

AMOR, NUNCA.

ONTEM ELA  VOLTOU DE ATLANTIDA E CONTOU PARA O FILHO,  QUE ENCONTROU NA CASA DA PRAIA UM AMIGO DELESMAIS VELHO, JÁ VIÚVO,, BRAÇO ESQUERDO PARALIZADO POR UM DERRAME, ABOLETADO NUMA CADEIRA DE VIME JOGANDO CARTAS COM O MARIDÃO…

ELA LEVOU UM CHOQUE, PORQUE FICOU SABENDO QUE O VELHO VAI FICAR MORANDO NA CASA DA PRAIA…

PERGUNTEI:

“SERÁ QUE ELE É?”

E ELA ME RESPONDEU:

“NÃO!

MEU MARIDO É MACHO… SÓ NÃO GOSTA DE MULHER!”

LEMBREI-ME DE UM PPS CUJO TÍTULO É: “ GOSTAR DE MULHER”.

 

COMO JÁ TINHAMOS NOS DESPEDIDO, ABRI MEU COMPUTADOR NA PASTA ONDE O PPS ESTÁ ARQUIVADO E TELEFONEI DE VOLTA PARA ELA .

COMO MINHA AMIGA NÃO APRENDEU A LIDAR COM O COMPUTADOR,  LI TODO O TEXTO DO PPS E TODO O TRECHO QUE ESCREVI ATÉ O PARÁGRAFO ACIMA..

ELA GOSTOU DA NOSSA SEGUNDA CONVERSA, E ESTÁ ME AGUARDANDO EM PORTO ALEGRE PARA DESABAFARO CORAÇÃO, BUSCANDO ALGUM CONFORTO.

PERMITIU QUE EU PUBLICASSE O PRESENTE TEXTO NO MEU BLOG.

É O QUE VOU FAZER AGORA..

 

criado por manon.rocha    15:36 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:

23/5/09

AMIZADES FORTUITAS

Tenho problema com meu joanete esquerdo, fruto de cinqüenta anos trabalhando com sapatos de salto alto e bico fino.

Minha bem informada filha indicou-me uma loja de calçados que fica na 302 Sul, tendo como vizinhos o restaurante do Dudu Camargo e a Cantina da Massa.

 Por sinal, dois ótimos restaurantes .

A Loja se chama CALCE BEM e é especialista em  sapatos bonitos e confortáveis, principalmente para pessoas portadoras de pés com algum problema, como é o caso do meu joanete…

Fui tão bem atendida,!

Comprei tantos pares de bons sapatos com preços ótimos, que prometi  ao vendedor que seria a “coroa propaganda” da Loja.

E é o que estou fazendo!!!.

Seus gentís funcionários são: Ilza, Daniele, Edmundo, Vanderley, Sandra e Wilton.

Na próxima compra de sapatos, vale a pena passar lá para dar uma olhada.

Na hora de efetuar o pagamento com meu cartão de crédito, observei o cabelo da funcionária que fazia a operação no Caixa..

A moça possui cabelos longos, mechados, e  ostenta-os absolutamente soltos, com dezenas de longos cachinhos feitos pela natureza , que a moça preserva – graças a Deus – não usando aquela  chapinha que transforma e iguala  todos os cabelos… 

Lembrei-me dos lindos cabelos cacheados da  minha prima  Renata.  É só lavá-los e secar ao vento… Pronto! Fica lindo!!!

Embora eu estivesse bastante desarrumada  e pretendesse passar despercebida pelos demais compradores muito bem arrumados, não resisti e, como voces sabem que faço, elogiei o cabelo da moça.

Sua fisionomia séria, abriu-se num sorriso largo perante tão efusivo elogio.

Esticou os braços por sobre o balcão que nos separava e me deu um longo abraço, agradecendo o elogio recebido.

Quando o abraço terminou, senti  meus olhos molhados , pois realmente fiquei surpresa com o agradecimento tão meigo recebido apenas por ter feito um elogio sincero.

Efetuei o pagamento, e novamente nos abraçamos.  Trocamos e mails e quem sabe comece  uma nova amizade, como começou, exatamente assim, a amizade que mantenho por minha querida amiga Ivana.                   

 

Não é por mero acaso que a gente se encontra com pessoas.

Pessoas amigas, pessoas desconhecidas, pessoas que a gente gosta de ver, pessoas que a gente, por algum motivo, tenta esquecer e pessoas que a gente tinha pensado que nunca mais ia encontrar…e que encontra, transformando esse encontro num bom momento. E até na reativação de uma velha amizade…..

 

criado por manon.rocha    18:39 — Arquivado em: Sem categoria

19/5/09

AME MAIS!

Reli o blog que escrevi n’outro dia…e volto a palavra atrás…

Matutei, e à minha lembrança vieram os amores da minha juventude.

Amores virginais, puros, fugazes, casamenteiros,  insatisfatórios, amores mentirosos, enfim… amores da juventude…e me lembrei, de novo, terem sido poucos…infelizmente…mas me lembro de todos eles…

E, fizeram-me feliz, todos esses poucos amores, durante algum tempo.

Tempo da proibição, tempo da tentação, tempo em que nada era permitido, tempo do namoro no portão… tempo da inocência…

Talvez tenha sido a minha inocência que tenha acabado com meu primeiro grande amor, e com meu primeiro  casamento…

Mas amar é muito bom!!! Traz sofrimento às vezes, quando não é correspondido, mas nos empolga sempre, embala nossa insônia, aumenta nossa esperança e faz a gente viver melhor.

O Roberto Klotz escreveu em seu maravilhoso www.robertoklotz.blogspot.com, conselhos dados por uma velha oitentona, à sua jovem neta;

“Ame muito, beije, beije muito, beije muitos, beije muito muitos, beijo de língua… sugue poemas…”

Pois é…

Tem razão… saímos da época da castidade… o mundo evoluiu? Sei lá…

Mas revendo aquele blog, me arrependi por não ter amado mais, beijado mais, sonhado mais… vivido mais…

Morto está quem não ama porque não quer, não aprendeu a amar porque tem medo,ou porque não sabe o quanto é bom amar e ser amado…

O que, decididamente, não é o meu caso…

criado por manon.rocha    10:30 — Arquivado em: Sem categoria

O VERDADEIRO AMOR É PERENE

Quando andamos lado a lado com a nossa juventude, ela nos acaricia e nós a acariciamos também, na ingênua idéia que o amor que temos por ela a prenderá a nós…

 Durante  nossa juventude o amor, achegando-se,  brinca com a gente, e nunca pensamos seja o amor tão fútil e tão fugaz… cada amor que chega, parece ser o verdadeiro e o eterno… logo descobrimos que não é assim…

Sua cara verdadeira aparece… com o tempo que passa…

Quantos projetos para o futuro, que julgamos tão distante, e quanta perda de tempo na juventude, para mais tarde, arrependidos, lembrarmos dos projetos abandonados… por causa de um amor…

Meu futuro já chegou e me encontrou feliz, porque tive muitas realizações, poucos amores e muitos amigos.

O casamento por amor me trouxe uma grande decepção, mas depois, num segundo casamento, conquistei meu verdadeiro e maduro amor.

Um amor que me fez feliz durante muito tempo e  sua lembrança me embala até hoje…

E hoje conversei sobre isso com você, minha amiga, que também, com seu esforço próprio, conseguiu  grandes realizações,  teve tantos amigos e tantos amores, mas que até hoje não  deram a você  a oportunidade que tive de ser feliz…

Desejo, do fundo do meu coração, pela amizade e admiração que  tenho por você, que também chegue o seu dia de ser feliz, amando e sendo amada… de verdade!

criado por manon.rocha    9:08 — Arquivado em: Sem categoria

13/5/09

DANUZA LEÃO

 

Recebi hoje um e mail da minha amiga baiana Danielle, contendo uma página atribuida a Danuza Leão, sobre uma empregada feliz que a tornou feliz…

Gostei da crônica.

Mas confesso que tenho uma implicância muito grande com a famosa Danusa , porque ela, usando seu charme e influencia, denunciou, num livro, o uso de palitos à mesa, hábito  consagrado e usado pelos brasileiros há décadas…

Sabemos que, em algum lugar na Terra, existe um povo – o povo árabe - que tem o hábito de arrotar para mostrar sua satisfação pelo que comeu…

Quem visitou esse país jamais acusou seu povo de deselegante, reconhecendo que é apenas um hábito já  enraizado e transmitido de pai pra filho…

Hoje em dia, os palitos foram abolidos das casas e restaurantes e a gente fica com a sensação desagradável, de sentir algum alimento preso aos dentes, que antigamente eram retirados, à mesa, com discreta elegância, pelos providenciais palitos…

Sempre que estou nessa situação, rogo uma praga pra Danuza:

Que um dia Danuza,  a caminho do banheiro do restaurante, se depare com alguem especial, que sorrirá para ela, e receberá de volta um sorrido estragado por um pedacinho de tempero verde…

criado por manon.rocha    10:29 — Arquivado em: Sem categoria

12/5/09

ARRIMO DO AMOR

 

Amor rima com fervor,

Rima com flor, com ardor,

Amor rima com pudor…

Pois rima até com censor,

Rima com furor, com tremor…

Amor rima com langor,

Rima com tentador,

Amor rima com vigor,

Amor rima com esplendor…

Se rimar com sofredor…

Se rimar amor com dor…

É porque não vale o amor…

criado por manon.rocha    13:30 — Arquivado em: Sem categoria

11/5/09

BRASÍLIA SESSENTA ANOS

 

                               

 

Falta muito tempo para isso acontecer. Brasília sessentona, enxuta e bela!!!

Se eu estiver por aqui, haverei de lembrar o que estou escrevendo hoje nesse blog.

Nunca tive tempo, paciência nem curiosidade para  ler jornais no meu tempo de formação acadêmica.

Isso posto e explicado, informo que recebo gratuitamente, aos domingos, um exemplar do JORNAL DA COMUNIDADE.

Dou uma olhadinha rápida, checando as informações que  eu já tinha visto na televisão e o jornal acaba sendo útil para finalidades domésticas  menos dignas, como, por exemplo, limpar vidros. Da janela.

Acontece que a capa do exemplar de ontem apresenta uma fotomontagem de um bondinho atravessando as pistas de vai e vem da Avenida W3.

E a W3 saiu muito bem na foto. Idem o bondinho…

A legenda informa:

 

“VLT É A ESPERANÇA DE REVITALIZAÇÃO DA W3”.

 

VLT = VEÍCULO LEVE sobre TRILHOS .

Pensei logo:

O VLT (temos que acostumar, porque já tem o bondinho do Pão de Açúcar, que ficaria mais chic se chamado de TELEFÉRICO) … O VLT vai ocupar o espaço hoje destinado ao estacionamento de carros das pessoas que, ainda hoje, se utilizam do comércio daquele local.

O VLT vai acabar com o estacionamento que existe na W3…

Revitalizar o comércio como?

Você sai de casa de carro (não temos ônibus) e para viajar no VLT para ir à Casa das Meias, ou à  Loja das Cadeiras, ou à Casa da Borracha, ou ao Banco, vai deixar seu carro onde?

Gente, eu acho que querem mesmo é acabar com o pouco de comércio que ainda resta na W3…

criado por manon.rocha    12:21 — Arquivado em: Sem categoria

6/5/09

A LÍNGUA PORTUGUESA

 

Maria casou grávida… era menor de idade…
Na hora do parto os médicos disseram que ela corria risco de vida…
Ou
Maria casou grávida… era de menor…
Na hora do parto os médicos disseram que ela corria risco de morte…

Engraçado como muda o linguajar do povo e como a gente se adapta (ou não) a ele..

Já pesquisei e o certo é “de menor idade”.
Agora pergunto, diga-me quem souber, socorra-me professora Maria José:
“Maria corria o risco de perder a vida” ou “Maria corria o risco de
encontrar a morte..”

criado por manon.rocha    8:28 — Arquivado em: Sem categoria

4/5/09

A CHÁCARA DA ARACY

 

 

“Ai! Aaai! Ai!!!”

Eu cheguei perto da Aracy que berrava desesperada, e vi o dedão do seu pé direito com uma pequenina mancha de sangue, meio centímetro talvez…

Ela berrava, chamando as filhas:

“Corre, corre aqui!!! Uma aranha enorme me picou…

Tragam a luz ! tragam a luz!…”

As filhas estavam espalhadas pela imensa chácara.

Uma lavava o canil, outra dava comida para duas rolinhas que tinham caído do ninho , uma terceira fazia não sei o quê e minha nora colhia, junto com meu filho, hortencias de várias cores para levar para São Paulo…

Aracy continuava a berrar, sacudia o pé e dizia que estava doendo muito, muuuito!!!!

E novamente pediu que alguém trouxesse a luz … entrei em casa sem saber que luz tinha que pegar e enquanto isso as filhas foram chegando e acudindo…

Jucélia trouxe uma lampada comprida, fluorescente, de bateria e levou para a mãe.

Aracy berrava: “Ali! Olha ali! Bota a luz alí!!!”

Um gato todo encolhido olhava fixamente para um lugar na grama que circunda a calçada onde Aracy foi atacada pela aranha.

Me abaixei e olhei na direção do olho do gato. E vi uma coisa marrom, parada, toda encolhida. Me arrepiei todinha. A aranha era horrívelmente horrível!

Naquele alvoroço todos corriam de um lado para o  outro, atarantados, e nada resolviam.

Uma das filhas da Aracy apareceu com um vidro para colocar a aranha dentro e perguntei: “Cadê a tampa? Cadê a tampa?”

“Cadê a tampa?, ela perguntou para a irmã…

E em seguida apareceu a tampa, apareceu o Filipão querendo estraçalhar a aranha com um cabo de vassoura, alguém gritou: “Não mata! Não mata!”

Aracy continuava a berrar: “Tá doendo muito! Muuuito!”

Alguém disse: “Tem que levar para o HRAN”! Tem que levar a aranha junto para o médico classificar o tipo de veneno!”

Pandemônio geral! Filipe e Lela tinham que voltar para São Paulo, a hora do vôo estava próxima…

“Quem leva? Quem leva?”

Jucélia, que com o auxílio de alguém, uma pá e um pauzinho, conseguiu colocar a aranha naquela redoma, com tampa, disse:

“Eu levo!”

E eu disse: “Eu dirijo!Entrem no meu carro, que eu dirijo!”

Deixamos a chácara para trás e conduzi meu  Honda Fit a cem km por hora, quando dava… e baixava para oitenta quando meu  detector de velocidade apitava…

E assim voamos até o HRAN.

Chegamos lá. Tinha um mundo de gente que esperava atendimento desde 10 hs da manhã.

Umas quarenta, cinqüenta pessoas se acotuvelando, perguntando quando seriam atendidas…

Jucélia foi para o guichê de atendimento preencher uma ficha e eu, de aranha em punho, mostrava pra todo mundo:

“Vejam que bicha feia! Ela picou a minha amiga . Minha amiga está envenenada, temos que entrar com urgência!”

Os dois vigilantes que se encontravam no balcão impedindo a entrada dos doentes, arregalaram os olhos quando viram a aranha, enorme, ameaçadora, mexendo suas patas, movimentando-se dentro do vidro.

“Ninguém entra sem a ficha”, disseram.

“Entra sim, moço! Minha amiga pode morrer envenenada, olha o tamanho dessa aranha!”

Eles concordaram e entrei com Aracy porta adentro, e encontrei outra dezena de pessoas se acotuvelando numa sala onde tiravam pressão, colhiam sangue, o esquimbáu!!!

Aracy se contorcia, e dizia; “Tá doendo muuuito!

 Minutos depois Jucélia aparece com a ficha nas mãos, para ficar com a mãe, e eu tive que sair…

Finalmente Aracy seria encaminhada para o médico.

Nessa altura do campeonato eu já era amiga íntima dos vigilantes e me apoderei da confortável cadeira de fórmica que estava dentro do balcão…

Fiquei lá, esperando por notícias quando, por uma  janelinha de vidro que fica na porta, vi a Jucélia segurando um frasco de soro acima da cabeça da Aracy.

Suspirei: “Bem, ela já está medicada!”

Telefonei para a chácara contando os fatos citados, despedi-me do filho e da nora que retornavam para São Paulo e voltei ao meu posto – cadeira de fórmica.

Só pensava na gripe suína…e naquele mundo de gente sofrendo, esperando atendimento desde  as dez horas da manhã.

Mais um pouquinho recebo notícias fresquinhas trazidas por Jucélia:

“A aranha foi recolhida para ser analisada, mas já informaram que embora seja venenosa, é uma tarântula não letal. Mamãe está tomando dois tipos de soro misturados com um poderoso analgésico. A dor já passou, mas ela tem que ficar em observação por seis horas.”

Como sou da família, queria ficar junto, mas Jucélia achou desnecessário, porque a Aline , na volta do Aeroporto onde foi levar Filipão e Lela,  lhe faria companhia e se revesaria com ela… para poder sair para fumar…

Deixei meu celular com Jucélia e voltei para casa.  Tomei uma sopinha, são 21:50 hs e vou postar essa matéria no Blog da Manon…

Até breve…

criado por manon.rocha    21:59 — Arquivado em: Sem categoria

MEU AMIGO ÁTILA

MEU AMIGO ÁTILA

Do lado de fora algumas pessoas fumavam, falando em voz baixa, outras, não tão discretas, falavam mais alto, excitadas, demonstrando uma certa aflição.

O interior estava deserto, apenas uma velha olhava para o vazio, tanto quanto seus olhos vazios estavam…

Átila era um rapaz que todas as mulheres olhavam.

Alto, atlético, bonito, cabelos pretos, dentes brancos e lábios bem delineados, quando sorria a todos fascinava.

Vestia-se impecavelmente, camisa combinado com a calça sempre bem vincada, um casaco atirado sobre os ombros, com displicência estudada.

Embora ganhasse pouco, sabia aplicar seu dinheiro e usava o bom gosto com que tinha nascido, comprando suas roupas somente em boas casas, na época das liquidações.

Nos poucos momentos de descanso estudava um livro de francês, achado no banco do ônibus e treinava com seus clientes:

“ Bom Jour, madame… merci monsier… au revoir…comme s’appelle vous? Nóubliez pas de moi…”

A maioria dos clientes mal entendia o que ele dizia, e Átila nunca recebia uma resposta de volta… e ria sozinho…

Trabalhava num Posto de gasolina, recebia salário mínimo e as gorjetas, que geralmente eram de cinquenta centavos, pois  a maioria dos clientes pagavam com uma nota de cinco reais e a lavagem do carro custava quatro reais e cinquenta centavos.

Entretanto, alguns valorizavam o trabalho caprichado do lavador e, não raro, pagavam dez reais, sobrando-lhe cinco reais e cinqüenta centavos de gorjeta…

Átila, sabendo disso, caprichava na limpeza das reentrâncias das portas, esfregava vigorosamente as placas do carro, os vidros, não deixando nem um sujinho em toda a superfície do carro.

Eram trinta, quarenta carros, que diariamente passavam pela máquina que jogava água e sabão nos carros  e depois pelas mãos de Átila…

No final do dia, sua pernas doíam, não tanto quanto suas costas…

Tirava o macacão, tomava um banho ali mesmo no banheiro do Posto e colocava sua roupa impecável, comia um sanduíche que tinha trazido de casa, escovava os dentes e, renovado, ia de ônibus, diretamente para Taguatinga.

Passava na casa de sua namorada, trocavam carinhos respeitosos na presença do irmão e do pai da moça.

Entretanto quando saíam para o portão, onde se despediam, os beijos eram mais audaciosos e as mãos dele percorriam avidamente aquelas curvas quentes e macias…

Planejavam se casar em maio do próximo ano, e já tinham comprado, com muito sacrifício, algumas peças de roupa de cama, mesa e banho.

Os ordenados minguados, dela como professorinha e dele, como lavador de carros, eram poupados, tostão por tostão para as despesas que teriam, obviamente, com poucos móveis: uma cama, uma mesa, quatro cadeiras, fogão de duas bocas, um armário de roupas, outro para a sala, geladeira nem pensar… pelo menos por enquanto…

Átila vivia com a avó, seu único arrimo, a quem chamava carinhosamente de “bonne-maman” ou “grand mére” e a avó sorria sentindo-se muito importante por ter um neto que sabia “falar em francês”…

Aos domingos, quando Átila estava em casa -  um barraco de tábuas velhas e cobertura de zinco - sempre  arranjava um tempinho para concertar alguma coisa, pintar as tábuas com restos de tinta que recebeu de um cliente,  renovar os arames onde a velha avó pendurava as roupas para secar… roupas que ele fazia questão de passar a ferro, caprichando nos vincos das calças e tudo o mais…

Domingo era dia que o neto almoçava em casa e a a avó preparava a refeição com capricho: feijão, arroz, ovos estrelados, muito raramente uma carne seca desfiada sobre mandioca ou sobre abóbora.

Ou então uma rabada no capricho, com direito ao pirão delicioso que acompanhava o agrião comprado fresquinho na feira…

Somente no final da tarde Átila saía de casa e ia direto visitar a namorada, linda e  carinhosa…

Assistiam à missa na Paróquia do Padre Samuel, velho conhecido da falecida mãe de Átila.

Padre Samuel tinha  uma ligação de afeto e admiração pelo menino que havia batizado e que agora era um homem de bem, prestes a receber o santo sacramento do matrimônio.

E assim transcorria a vida desse candango, nascido e alfabetizado em Brasília, Capital da Esperança… esperança de dias melhores, de juntar dinheiro para casar, de montar um negócio apenas seu, talvez na feira, quem sabe apertando dá…

Atila -  movido pelo amor, pela esperança e pela fé…

Voltando da casa da namorada a pé, foi assaltado num beco escuro.  O ladrão queria suas roupas e seu relógio, que tinha comprado baratinho na Feira dos Importados.

Átila reagiu:

“- Que é isso companheiro? Quer me deixar pelado?”

Num relance viu que o ladrão era franzino, quase um moleque imberbe, trazendo em sua mão um canivete que reluzia…

Num ímpeto, resolveu enfrentar a situação de frente a atracou-se com o rapaz tirando-lhe da mão a arma afiada… o ladrão saiu correndo e Átila abaixou-se para pegar seu casaco, usado sobre os ombros com displicência estudada…

Foi então que ouviu um estrondo e  sentiu uma  picada que atravessou suas costas e varou seu peito.

Átila deu um gemido, olhou a rua deserta, o beco escuro, onde muito longe brilhava a luz solitária de um poste e foi caindo… ajoelhou-se e devagar seu corpo parou de tentar se levantar.

Caiu de costas e viu lá em cima um céu estrelado, uma lua envolta em brumas e pensou em sua noiva, em sua avó, em seu trabalho, nas roupas passadas a ferro que ficaram sobre a cadeira da sala, esperando pela volta dele para serem guardadas…

Não sentia dor, apenas uma escuridão cada vez maior…

E o silêncio se fez de repente…

 

  

criado por manon.rocha    12:06 — Arquivado em: Sem categoria
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