18/8/08
PONDERAÇÕES
Em cinqüenta anos tive poucos empregos.
Moleza enquanto funcionária pública, com direito a assinar ponto, sair para almoçar, ficar em casa quando doente, entrar e sair no horário pré estabelecido…
Naquele tempo os melhores da Casa tinham a chance de alcançar cargos de alta Chefia, e a grande maioria dos Chefes também cumpriam horário, com algumas exceções, quando necessário… .
Hoje são os políticos que indicam seus adeptos, seus associados, seus cúmplices, para exercerem cargos públicos, sem falar no nepotismo que todos conhecem…
Tratando-se de empresas privadas, os chefes são escolhidos pela sua capacidade profissional, pela competência, pela penetração no mercado certo e etc…
Mas sempre contam com a ajuda de competentes e maravilhosas mulheres, sem as quais estariam espatifados, e que muitas vezes são tratadas com arrogância, falta de delicadeza., o que, graças a Deus, nunca foi o meu caso…
São suas leais secretárias e auxiliares que resolvem tudo em todos os momentos. Que lhes tiram as pedras do caminho, que sacrificam seu horário de almoço, que não tem tempo para ir ao dentista, ao oculista, ao médico…
Que saem de casa cedo e voltam tarde, abandonando seus filhos nas mãos despreparadas de empregadas analfabetas …
São as mulheres que criam seus filhos ao Deus dará, rezando para que eles nunca penetrem em caminho errado, para que eles façam as lições sem a ajuda delas, que herdem suas virtudes, com a graça da Deus e a ajuda de seus anjos da guarda…
Entretanto, esses executivos ganham o suficiente para a garantia de uma aposentadoria confortável, e conseguem amealhar razoável patrimônio no decorrer de suas carreiras.
Recentemente recebi um arquivo dizendo que esses executivos sentam-se, literalmente, na poltrona do corredor do avião para poder sair mais depressa, para ganhar dinheiro mais depressa e também para envelhecer mais depressa… Mas será que valerá a pena sentarem-se sempre na cadeira que fica no corredor?
Nós, mulheres, que largamos nossos filhos, nossas casas, nossas vaidades, nossos sonhos para cumprir horários estafantes, sem remuneração de horas extras, sem cumprimento de horário de almoço, muitas vezes sem direito a ver a apresentação de nossos filhos na festa do Dia das Mães, temos, por acaso, alguma consideração por parte do nosso Chefe/Empresa?
E ainda temos medo de reclamar, porque os poderosos poderiam pensar em colocar um homem no nosso lugar e pensar que resolveriam o problema deles… quá, quá, quá!!!
Entretanto, quando viajamos em sonhos, tenho a certeza que todas escolhemos sempre a cadeira da janela do avião, única possibilidade que temos para fazer aquilo que nos satisfaz e agrada.
Perceba a diferença de direitos e deveres que existem entre a locomotiva e os trilhos que a conduzem ao destino ou ao abismo.
Nossos executivos são as locomotivas e nós somos os trilhos que os conduzem ao sucesso.
O maquinista da locomotiva deveria estar sempre de o1ho nos trilhos que suportam os solavancos, o peso e a velocidade da locomotiva…
Trilhos fracos, suportes desgastados, falta de manutenção e uso sem limites podem gerar um grande desastre…
Quando penso nisso, anseio conversar com meu amado e antigo chefe.
Não vale a pena viajar sempre, como ele faz, na janela do corredor.
Correndo cada vez mais rápidos estarão correndo para um enfarte, para a tristeza de ver a juventude ter ido embora e ficado apenas com um belo patrimônio que não levarão ao seu destino final.
Claro que as mulheres adquiriram a igualdade de sair de casa juntos com os seus maridos, desfrutando uma liberdade que antes não conheciam.
Entretanto, essas mulheres geralmente chegam ao final de sua vida profissional de bolsos vazio, assim como vazias de carinho, bom exemplo e afeto ficam as cabeças de seus filhos.
Não é difícil encontrar nos dias atuais crianças cheias de problemas, vícios, tratamentos psicológicos que a modernidade nos trouxe.
criado por manon.rocha
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