29/7/08
Meu livro
Quando criança, aos doze anos, nascida em berço modesto, gostava muito de ler.
Não havia televisão , a gente brincava na rua até de noitão, mas a leitura que caía em minhas mãos , era devorada com avidez.
Daí inventei, com auxílio da minha cara de pau, bater de porta em porta e pedir livros que não estivessem mais interessando aos habitantes das casas percorridas.
Consegui recolher muitos livros e levei-os, com o consentimento e apoio das Assistentes Sociais que trabalhavam no Centro Social dos Comerciários (Olaria – RJ) que frequentava habitualmente após o horário escolar.
O Centro Social ocupava todas as minhas tardes e lá aprendi diversas coisas, como cozinhar, costurar, tinha aulas de etiqueta social e até fazia parte do Movimento Bandeirante, versão feminina dos Escoteiros de Baden Powel. Entrei como “fadinha” e saí aos vinte anos, como Chefe de Companhia.
Saí porque estava trabalhando e noivando.
Voltando aos livros doados: eles foram classificados, reconstituídos e catalogados. Com o apoio das Assistentes Sociais batizei a pequena biblioteca com o nome de Biblioteca Monteiro Lobato, meu autor preferido na época.
Muitos anos depois, já morando em Brasília, fiquei sabendo que a Biblioteca havia crescido tanto, possuindo milhares de livros, sendo freqüentada pelos moradores do bairro.
Havia até uma bibliotecária contratada pelo antigo Centro Social para dar conta de seus muitos usuários…
QUANDO SOUBE DISSO SENTI UMA ESTRANHA E ENORME FELICIDADE!!!
Durante boa parte de minha infância, eu embalava uma esperança, um sonho; ser escritora.
A vida me levou para outros caminhos, tornei-me funcionária pública, casei e vim para Brasília em 1960.
Entretanto, mantive o hábito de escrever pequenas crônicas desabafando meus desenganos, minhas frustrações, minhas alegrias e esperanças.
Muitas vezes escrevia e, logo depois, rasgava as páginas escritas. NÃO ERA PARA NINGUÉM LER.. mas era como se tivesse tirado um peso de cima dos meus ombros…
Outras vezes as guardava, ao léu e acabava me esquecendo delas..
O tempo passou e um dia, já viúva, resolvi fazer uma limpeza das coisas que julgava inúteis, e, entre essas coisas, as poesias e crônicas nos momentos de aflição, de esperança, de amor, de desamor…
Naquele momento minha filha chegou e impediu que eu rasgasse o que havia sobrado, e que era muito pouco…
Tornei a guardar a papelada amarelada pelo tempo.
Com o advento da Internet, introduzida em minha casa em 2006, voltei a escrever as idéias que povoavam minha cabeça…
Hoje, quando vem a inspiração, alguém intercepta meu tempo e nada escrevo, porque a hora não é própria…
Escrever um livro. Acalento esse pequeno sonho, mesmo achando que ele seja bastante pretensioso…
Com a chegada da noite, vem , muitas vezes, a inspiração…porém , maior do que ela vem o cansaço e o sono me domina..
Porém, muitas vezes, insone, me levanto e escrevo coisas que me vêm à cabeça, coisas passadas, coisas que me afligem e, assim, tenho colocado alguma coisa no meu blog.
Quem sabe um dia, me animo a organizar esse livro tão sonhado?
A idéias dos meus compromissos do d, não raro, acabo me levantando e escrevendo alguma coisa…
Acabo não dormindo nada e no dia seguinte estou um bagaço…
Emfim…
criado por manon.rocha
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