Blog da Manon

Cantinho reservado para compartilhar as idéias de uma mulher bem vivida.

13/3/08

Alma gêmea

Enquanto gira uma pequena
bola…azul, segundo a ciência…
se ama, se rouba, se mata…
se pensa, se alucina…

Enquanto alguns seres, humanos,
(disseram) desesperam neste
planeta terreno, enquanto isso
acontece… eu vivo… e espero…

Enquanto a angustia devora
sem pejo: a morte se acerca…
a miséria escarneia, a dor
se aninha… eu quero… eu penso…

E sinto, vibrando, a presença de Deus
(daquele que falo) e venço o escuro
caminho da noite sem brilho,
que sabe que sofro. E amo.

E amo tanto que passo, sem medo,
receio, do mundo mesquinho…
daquele caminho que já percorri…
que um dia temi… Mas hoje…

no meu pensamento vagueia, risonho,
a imagem do amor, do mais verdadeiro
sem freio, maduro, em nada bisonho
que tudo incandesce, que nem um morteiro…

E assim eu te quero , amante sereno…
esperando, afinal, que finda a luta
de cada semana… meu corpo moreno
receba teu ser, teu sonho, teu sal…

Entrega pra mim o teu pensamento,
me deixa alcançar teu fundo animal
e junto comigo não tenha lamento
sou tua alma gêmea, amor, sou igual…

criado por manon.rocha    19:29 — Arquivado em: Sem categoria

Pretensão

Durante toda a minha vida, nas horas vagas, ou quando insone, tive o hábito de escrever sobre alguma coisa que estivesse me assombrando naquele momento…

Geralmente, após escrever e ler o desabafo, rasgava as folhas escritas e sentia-me como que aliviada de um fardo…

A maioria das vezes escrevia sobre fatos rotineiros, trabalho, amores, esperanças, afinal, escrevia sobre o meu cotidiano.

E as folhas escritas, quando não eram rasgadas, iam ficando ao Deus-dará.

Agora, aposentada, com as netas quase criadas e estimulada por minha filha, estou tentando criar coragem e publicar algumas crônicas e poesias, sem qualquer pretensão…

Os amigos  que lerem essas páginas, de certo reconhecerão alguns personagens.

Assim, pretendo cumprir a segunda coisa que o homem deve fazer na Terra: escrever um livro, o que é muito prazeroso…

A primeira eu já tinha feito: pari dois filhos dos quais muito me orgulho e que só me trouxeram  alegrias e as preocupações normais em cada fase de suas vidas…

E espero fazer, muito em breve, a terceira coisa, talvez a mais necessária atualmente, que é plantar uma árvore.

criado por manon.rocha    19:15 — Arquivado em: Sem categoria

Mami Aringsmann

Gostaria de conversar com você pelo telefone, mas vai sair muito caro, porque o que eu tenho a dizer levaria horas …

E como você está chateada com o seu computador ele não seria um bom instrumento para esse desabafo…

Então, aí vai a história, que eu teria contado a você assim que ela começou, se você estivesse aqui em Brasília, pelo tanto que fomos amigas… como somos até hoje.

Ah! que falta você me faz!!! Que saudade do convívio que tivemos, quando eu ia lanchar e conversar na sua casa…

Depois que o Pedro morreu, minha vida se tornou deverás insossa, os amigos antigos, os casais, passaram a não me convidar para as suas festas… Os contatos foram morrendo e, quando vi, estava sozinha, sem ter com quem sair à noite, sem ir a um cinema, sem um ombro amigo para repousar a cabeça, uma mão para segurar enquanto via um bom filme…

Sair com outra mulher só se houver muita afinidade e se ela for muito querida.

Conheci a solidão.

 É horrível, o dia passa depressa enquanto sirvo como motorista de minhas duas netas…

Mas as noites…

Depois de muito pensar resolvi acolher um amante que fizesse das minhas noites alguma coisa a mais, para não continuar olhando para as paredes do meu quarto, ou vendo uma televisão chata e cheia de horrores que acontecem a todo momento nesse Brasil de tolos.

Embora com 69 anos naquele tempo, resolvi arriscar pois ninguém ficaria sabendo se essa relação não desse certo.

Fui pra rua, discretamente olhei um, achei interessante, e, sem pensar duas vezes, escrevi meu nome, endereço e telefone num papel e entreguei.

 Naquele mesmo dia ele veio pra minha casa.

Sem pejo, arranquei a capa e tudo mais que lhe cobria, debrucei-me sobre ele e vorazmente toquei em todos os seus pontos, minha mãos alucinadas, apalpavam tudo que podiam alcançar.

Entretanto ele não funcionou… Seria culpa minha? Tanto tempo esperei para ter esse prazer… Bastante emocionada e visivelmente excitada apaguei a luz e fui dormir sem que acontesse nada.

Seria minha idade? Eu não seria capaz de dar conta dele?

Não desanimei. Insisti.Procurei ajuda de amigas, que embora mais jovens, eram mais experientes que eu e já tinham experimentado a desilusão, fracasso e  a insegurança que agora eu estava experimentando. Aos poucos adaptei-me a ele e venci.

Durante loucas madrugadas, quando a empregada já dormia, lá estava eu, camisola transparente e fresquinha, montada freneticamente sobre o meu amante.

Começamos a nos entender e o tempo foi passando…

Como todos os amantes de vez em quando ainda nos desentendemos e acabo fugindo para o meu quarto, deixando-o no quarto de hóspedes ainda ligadão…sem entender porque o abandono de vez em quando tão de repente.

Mas o pior seria viver sem ele que me dá enorme prazer, principalmente no começo da madrugada, enquanto todos dormem e o único barulho ouvido é aquele que fazemos na minha ânsia de comunicação, de me sentir viva, de prazer, enfim de ser feliz!…

Ele é da família  LG, tem tela plana que não pode ser tocada e o nome está gravado em cima: “Flatron”, lindo não é?

Hoje eu não posso viver mais sem ele e o conselho que dou a você é o mesmo que recebi anos atrás.

Atualize-se, faça curso, modernize seu computador porque telefonema só dá prazer na hora e fica muito caro.

Quanto prazer tenho quando o meu ”Flatron” me deixa rever  um bom arquivo um lindo recado, uma bela fotografia, um fato narrado, tanta coisa… É um verdadeiro prazer.

Imagine que falo horas com o Filipe, que mora em Sampa vendo-o na tela com som, ao vivo e a cores, e a custo zero, através do Skipe que instalei no computador.

Um beijo com muita saudade

Manon.

criado por manon.rocha    18:48 — Arquivado em: Sem categoria

Na Primavera da Vida

Quantas flores recebo! Às dezenas!
Que mimo! Que cores! Refletem
O amor que alguém me dedica…
São rosas, orquídeas, dracenas
Que chegam e sempre repetem
Que o amor só aumenta e se multiplica…

Me fazem feliz, as belas amigas…
Me dizem que fulge o meu maior dom.
E o peito que abriga o meu coração
Esquece o amargor das rimas antigas
E vem, cristalino, o mais puro som
Da doce cantiga que canta o perdão…

Ó flor, não me deixe, não faça eu pensar
que o tempo que passa também vai trazer
pro meu pobre peito a dor tão maldita…
A triste amargura de um dia chegar
E o mal do amor de novo eu sofrer…
Com mágoa, a saudade que tanto me agita…

Se o amor fenecer, em vez de aumentar…
Se choro eu tiver, em vez de sonhar…
Na minha gaveta, sem perfume, a flor…
Nos guardados dele, meu verso, sem cor…
1978

criado por manon.rocha    18:19 — Arquivado em: Sem categoria

Longo Poema

Bem dentro de mim estava
Alguma coisa esperando
A hora já bem marcada
E a decisão retardando…
Em silêncio sonho comia,
Faminta de realidade…
Enferma da vida, sofria…

Bem dentro de mim estava
Alguma coisa esperando

O espaço, pleno, sereno,
Distancia enorme aumentando
Meu doce sonho, ameno,
E o tempo a face marcando,
Sorvendo ânsia em segredo,
Em lágrima triste, sorrindo…
Soprando bolhas de medo
E a busca sempre fluindo…

Bem dentro de mim estava
Alguma coisa escondida

Tal como fôra um barco
No imenso oceano vagando
À procura de um novo marco
Que a âncora fosse amarrando…
Assim era eu, que verdade!
Pensava que nunca saísse
Do turbilhão da saudade
Do vendaval da sandice…

Bem dentro de mim estava
Alguma coisa esquecida…

Agora, em porto seguro,
Desfruto meu sonho contido:
Teu coração, meu futuro,
Eu vivo meu sonho antigo.
Teu braço é meu timoneiro,
Tua fé é meu pagamento
Teu beijo é meu passageiro
Adeus, meu velho tormento…

Bem dentro de mim estava
Alguma coisa esperando…

criado por manon.rocha    18:18 — Arquivado em: Sem categoria

Surpresa

NA NOITE EM QUE NOS AMAMOS: SURPRESA,
FRENESI, DESVARIO, QUASE SURREALISMO…
PARA SEMPRE , (EU PENSEI) COM CERTEZA…
AGORA, INSONE, IRRIQUIETA, EU SOFISMO…

RETICÊNCIAS, RESPOSTAS NÃO ENCONTRADAS,
ESPANTO, MÁGOA, DECEPÇÃO, ABANDONO…
PERGUNTAS NÃO RESPONDIDAS, DORES ACUMULADAS,
DUVIDAS CONTIDAS, ABSURDAS, LEVAM MEU SONO…

CAMINHEI NESTA VIDA POR CAMINHOS INCRÍVEIS…
NADA FOI IMPOSSÍVE: SÓ O QUE SINTO POR TÍ.
TANTOS AMORES ATENTOS E TÃO DISPONÍVEIS…
NESSE MUNDO LOUCO, POR QUE FOI QUE TE ESCOLHÍ?

criado por manon.rocha    18:15 — Arquivado em: Sem categoria

4/3/08

LIBERDADE

LIBERDADE

ENCONTRO-ME NAQUELA MARAVILHOSA IDADE MARAVILHOSAMENTE JOVEM, PLENA DA LUCIDEZ TRAZIDA PELOS ANOS, CELEBRANDO A VIDA A CADA MOMENTO…
BEM HUMORADA, INDEPENDENTE, RECEBENDO DIARIAMENTE A BÊNÇÃO DE DEUS…
REESCREVO CAPÍTULOS DA MINHA VIDA, REINVENTO-OS, AÇUCARO-OS, APIMENTO-OS… E ME DIVIRTO…
REVEJO MINHA VIDA DE TRABALHO PROFÍCUO, INCANSÁVEL,
HONESTO…
LEMBRO DAS INJUSTIÇAS VIVIDAS, DOS PLANOS NÃO REALIZADOS, DAS PEQUENAS VITÓRIAS, DAS GRANDES CONQUISTAS… DO EXEMPLO DADO AOS FILHOS… DOS HOMENS QUE AMEI… E DAQUELES QUE ME AMARAM…
AGRADEÇO ÁQUELES QUE ME FIZERAM CRESCER, DE UMA OU OUTRA MANEIRA, PELO EXEMPLO, OU PELA INVEJA…
E ME LEMBRO DOS AMIGOS QUE FICARAM PARA TRAZ, MAS QUE NÃO FORAM ESQUECIDOS … E CONTO COM AQUELES QUE AINDA HÃO DE VIR…
LIBERDADE

criado por manon.rocha    16:58 — Arquivado em: Sem categoria

OVO GALADO

EXMA SRA
D IVANA FARIA
MD CHEFE DE COZINHA
DO MEU INTIMO RELACIONAMENTO

Quando você abriu a ‘porlta’ da sua casa para me receber pela vez primeira, encontrei seus amigos campograndenses com os quais me identifiquei de cara e de coroa..
Você ofereceu um almoço- lanche – jantar que foi até altas horas da noite…
Ivana, como você cozinha bem!.
A gente vê, percebe, admira o seu traquejo na cozinha, oferecendo coisas supimpas (termo usado no meu tempo de criança) e quando esses petiscos nos entram pela boca, permanecem no cérebro por muitos dias… Ma-ra-vi-lho-so!
Fui fazer um omelete (ou uma omeleta?) e quando quebrei os ovos tive , como sempre, um pouco de dificuldade de soltar uma coisinha que prende a gema à clara. Dizia minha mãe, que ensinou-me a dar as primeiras colheradas nas panelas lá de casa, que a gente tem que tirar a “gala” (era assim que ela denominava a coisinha) porque faz mal.
Sozinha em casa, como sempre, comecei a matutar e o assunto passou a ter uma importância muito grande nessa manhã solitária e nublada.
Assim sendo, resolvi perguntar a você – ninguém melhor do que você para me responder –
É VERDADE QUE A GENTE TEM QUE TIRAR ESSA  COISINHA DO OVO?
Sabendo que você está voltando de São Paulo hoje, quero que saiba que senti sua falta e aguardo sua resposta (quando for possível).
Um beijão da amiga e admiradora
Manon

criado por manon.rocha    13:20 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://blogdamanon.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.