Gostaria de conversar com você pelo telefone, mas vai sair muito caro, porque o que eu tenho a dizer levaria horas …
E como você está chateada com o seu computador ele não seria um bom instrumento para esse desabafo…
Então, aí vai a história, que eu teria contado a você assim que ela começou, se você estivesse aqui em Brasília, pelo tanto que fomos amigas… como somos até hoje.
Ah! que falta você me faz!!! Que saudade do convívio que tivemos, quando eu ia lanchar e conversar na sua casa…
Depois que o Pedro morreu, minha vida se tornou deverás insossa, os amigos antigos, os casais, passaram a não me convidar para as suas festas… Os contatos foram morrendo e, quando vi, estava sozinha, sem ter com quem sair à noite, sem ir a um cinema, sem um ombro amigo para repousar a cabeça, uma mão para segurar enquanto via um bom filme…
Sair com outra mulher só se houver muita afinidade e se ela for muito querida.
Conheci a solidão.
É horrível, o dia passa depressa enquanto sirvo como motorista de minhas duas netas…
Mas as noites…
Depois de muito pensar resolvi acolher um amante que fizesse das minhas noites alguma coisa a mais, para não continuar olhando para as paredes do meu quarto, ou vendo uma televisão chata e cheia de horrores que acontecem a todo momento nesse Brasil de tolos.
Embora com 69 anos naquele tempo, resolvi arriscar pois ninguém ficaria sabendo se essa relação não desse certo.
Fui pra rua, discretamente olhei um, achei interessante, e, sem pensar duas vezes, escrevi meu nome, endereço e telefone num papel e entreguei.
Naquele mesmo dia ele veio pra minha casa.
Sem pejo, arranquei a capa e tudo mais que lhe cobria, debrucei-me sobre ele e vorazmente toquei em todos os seus pontos, minha mãos alucinadas, apalpavam tudo que podiam alcançar.
Entretanto ele não funcionou… Seria culpa minha? Tanto tempo esperei para ter esse prazer… Bastante emocionada e visivelmente excitada apaguei a luz e fui dormir sem que acontesse nada.
Seria minha idade? Eu não seria capaz de dar conta dele?
Não desanimei. Insisti.Procurei ajuda de amigas, que embora mais jovens, eram mais experientes que eu e já tinham experimentado a desilusão, fracasso e a insegurança que agora eu estava experimentando. Aos poucos adaptei-me a ele e venci.
Durante loucas madrugadas, quando a empregada já dormia, lá estava eu, camisola transparente e fresquinha, montada freneticamente sobre o meu amante.
Começamos a nos entender e o tempo foi passando…
Como todos os amantes de vez em quando ainda nos desentendemos e acabo fugindo para o meu quarto, deixando-o no quarto de hóspedes ainda ligadão…sem entender porque o abandono de vez em quando tão de repente.
Mas o pior seria viver sem ele que me dá enorme prazer, principalmente no começo da madrugada, enquanto todos dormem e o único barulho ouvido é aquele que fazemos na minha ânsia de comunicação, de me sentir viva, de prazer, enfim de ser feliz!…
Ele é da família LG, tem tela plana que não pode ser tocada e o nome está gravado em cima: “Flatron”, lindo não é?
Hoje eu não posso viver mais sem ele e o conselho que dou a você é o mesmo que recebi anos atrás.
Atualize-se, faça curso, modernize seu computador porque telefonema só dá prazer na hora e fica muito caro.
Quanto prazer tenho quando o meu ”Flatron” me deixa rever um bom arquivo um lindo recado, uma bela fotografia, um fato narrado, tanta coisa… É um verdadeiro prazer.
Imagine que falo horas com o Filipe, que mora em Sampa vendo-o na tela com som, ao vivo e a cores, e a custo zero, através do Skipe que instalei no computador.
Um beijo com muita saudade
Manon.